Mulher trans adota bebê que foi abandonado depois que recebeu sangue dela.

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A população trans na Índia é alvo de bastante discriminação. A rejeição pode começar logo cedo, como é o caso de uma criança que foi abandonada pelos seus pais depois que eles descobriram que o bebê recebeu sangue de uma mulher trans.

A família temia que a criança, que nasceu com anemia e precisava de uma transfusão de sangue para sobreviver, se tornasse “um deles” (uma pessoa trans), porque o sangue de Rekha (nome fictício) corria em suas veias.

Os pais queriam conhecer Rekha pessoalmente para gradecer sua ajuda, mas quando descobriram que ela era trans, sua atitude mudou completamente. Um dia depois da transfusão, Rekha encontrou a criança abandonada em frente à sua casa junto com um bilhete escrito pelos seus pais dizendo que ela não poderia fazer mais parte da família.

Quase metade de todas as crianças trans na Índia sofre agressões – físicas e psicológicas – antes de completar 18 anos.
“Eu sofri a dor de ser rejeitada por sua família. Acho que estou ligada a ela por esse vínculo”, disse Rekha.

A equipe do hospital onde o bebê nasceu confirmou que se trata da mesma criança para quem Rekha doou sangue um dia antes dela ser rejeitada pelos pais. A criança, hoje com seis meses, é a segunda pessoa que recebe uma transfusão de sangue de Rekha.
discriminação sanguínea atinge toda a comunidade LGBT+ na Índia e em outros países, como o Brasil.

Ainda que a Organização Nacional de Controle da AIDS (NACO) considere a comunidade LGBT+ como “um grupo de alto risco”, Rekha não pensa em parar de doar sangue e continuar salvando outras vidas.