Bolsonaro diz que trabalho infantil ‘não atrapalha a vida de ninguém’

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Em sua transmissão ao vivo que faz toda semana, o político do PSL exaltou o trabalho infantil. 

Jair também usou o próprio exemplo, disse que começou a trabalhar aos nove anos de idade e que “não foi prejudicado em nada por isso”.

Bolsonaro ressaltou que o “trabalho dignifica o homem e a mulher, não interessa a idade”. 

“Lembro perfeitamente que uma das coisas que se plantava lá, além de banana, era milho. E naquele tempo para você cortar o milho, você não tinha que chegar na plantação e pegar. Tinha que quebrar o milho. Tinha que colocar o saco de estopa no braço. E eu com nove, dez anos de idade quebrava milho na plantação e quatro, cinco dias depois, com sol, você ia colher o milho”, relatou em uma espécie de confissão.

O presidente acha que trabalho infantil dá dignidade. E a educação?

O presidente aproveitou para a atacar os que criticam o aliciamento de menores de idade para o trabalho. Para Bolsonaro, não há problema algum em deixar a infância de lado.

“Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar tá cheio de gente aí ‘trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil’. Agora quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada”, enfatizou.

Apesar da defesa expressiva da prática proibida por lei, Jair Bolsonaro afirmou que não pretende “apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil porque eu seria massacrado”. “Mas quero dizer que eu, meu irmão mais velho, uma irmã minha também, um pouco mais nova, com essa idade, oito, nove, dez, doze anos, trabalhava na fazenda. Trabalho duro”, encerrou.

Criança no trabalho ou na escola? 

O presidente exaltou o trabalho, que segundo ele, “dignifica o homem e a mulher”. Pode até ser. E para uma criança, mais vale uma enxada ou máquina de costura ou um livro e uma caneta nas mãos?

No Brasil, mais de 2 milhões de crianças trabalha

O trabalho infantil defendido pelo presidente é crime previsto em lei. Além de anular a infância, ele contribui para o aumento da pobreza, alimentada pela falta de educação e ferramentas de auxílio ao desenvolvimento infantil. A conta sempre chega e o país perde com a ausência da chamada ‘mão de obra qualificada’.

A Organização Internacional do Trabalho diz que em 2016, 152 milhões de crianças entre 5 e 17anos eram vítimas de trabalho infantil no mundo – 88 milhões de meninos e 64 milhões de meninas.

A maioria está na África, 72,1 milhões, seguida da Ásia e do Pacífico, com 62 milhões e das Américas, com 10,7 milhões. Europa e da Ásia Central  possuem 5,5 milhões e os Estados Árabes 1,2 milhões. O trabalho infantil se concentra em atividades agrícolas, 71%. O Brasil possui 2,7 milhões de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. São adolescentes entre 14 e 17 anos (83%) atuando, sobretudo, no Nordeste: 852 mil.

E a educação?

Além dos cortes no repasse de verbas para universidades federais, o governo precisa encarar a realidade de quase 2,5 milhões de crianças fora da escola. Resultado do levantamento feito pelo Todos Pela Educação, que se baseia na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad).  6% do total de alunos não têm acesso à educação.

Não é coincidência que adolescentes entre 15 e 17 anos, os preferidos dos defensores do trabalho infantil, estejam do lado de fora das escolas. Mais de 1 milhão e crescendo. Cerca de 82,6% de 2005 a 2015.

Especialistas cobram medidas efetivas do Estado, que pouco investe em saúde, educação e cultura.

“Trabalho, gravidez precoce, violência e tráfico de drogas, diferentes situações da família. Também tem a questão da repetência múltipla, por isso que a política de progressão continuada é tão importante, é preciso garantir que o aluno aprenda para não repetir de ano”, explicou ao G1 Para Priscila Cruz, presidente executiva do Todos Pela Educação

Fotos: EBC

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