Bebês que mamam por mais tempo têm salários mais altos na fase adulta, diz estudo

0
297
COMPARTILHE AGORA!!

O leite materno é muito importante para o desenvolvimento saudável dos bebês. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele contém todos os nutrientes e anticorpos essenciais para o recém-nascido e deve ser a única fonte de alimentação até o sexto mês de vida.

O OMS ainda indica a amamentação até os 2 anos ou mais e um estudo da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, complementa a recomendação com resultados de um estudo revelador: os bebês que mamam por mais tempo se tornam adultos mais inteligentes e ganham salários mais altos.

A pesquisa iniciada em 1982 acompanhou quase 3500 recém-nascidos até os 30 anos de idade para analisar se o tempo de amamentação tem relação com quociente de inteligência (QI), escolaridade e renda nesta faixa etária da fase adulta.

O estudo indicou que os participantes que foram amamentados por 12 meses chegam aos 30 anos de idade com renda mensal 20% maior e índice de QI mais alto do que os adultos que foram amamentados por menos de um mês.

Bebês que mamam por mais tempo têm salários mais altos na fase adulta, diz estudo (Foto: Getty Images)

O relatório mostra que a diferença de QI é de quatro pontos, o que é bem significativo. Os médicos ainda apontam que o tempo de escolaridade de quem mama por 12 meses também é maior. Os ácidos graxos são apontados no estudo como um dos mecanismos biológicos responsáveis por esse efeito.

A pediatra Mariana Jordão, do hospital Edmundo Vasconcelos, reforça que os efeitos a longo prazo do leite materno estão associados com a capacidade cognitiva. “O leite humano é rico em ácidos graxos, que influenciam no desenvolvimento cerebral do bebê. Quanto mais ele mama, mais ele consome os ácidos graxos e mais inteligente ele pode ser”, explica.

Segundo a médica, alimentos como peixes, azeite de oliva e oleaginosas, como as castanhas, e abacate são fontes de ácidos graxos. “E mesmo que a gestante ou a lactante não tenha uma alimentação equilibrada, não existe ‘leite fraco’. É preciso acabar com esse mito”, diz.

“A magnitude desses resultados é muito importante em termos de saúde pública”, dizem os responsáveis pelo o estudo. Principalmente aqui no Brasil: de acordo OMS, apenas 40% das crianças brasileiras mamam até os seis meses e isso precisa mudar.

COMPARTILHE AGORA!!